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  • Ive Nenflidio

Utopia


Sonhei um sonho estranho, no devaneio a realidade, como a conhecemos, não existia, todos os atos, cada cena era um trecho de uma peça cênica cercada de alegria, provável que sejam trechos recentemente escritos por alguém que acredita na utopia, alguns personagens, admito, eram bem confusos, era um mundo novo, tinha versos e poesia, tudo podia ser recriado e (re)encenado, era permitido errar, você podia corrigir, acertar todos os equívocos, ninguém morria de morte violenta, a morte só abraçava aqueles que viveram muito e que foram felizes, todos precisavam encontrar a plenitude, estava no manual, sim, existiam regras, os leitos dos rios eram cercados por flores de todas as cores, as águas eram límpidas, cristalinas enxergávamos o fundo, as pedras eram enormes, brancas e polidas, parecia que alguém as tivesse lustrado, os peixes eram graúdos, ninguém pescava mais do que precisava, os campos eram plantações diversificadas, coloridas de saúde, as copas das árvores eram frondosas e as folhas verdinhas, existiam ninhos com pássaros de todas as espécies, as crianças aprendiam desde cedo a respeitar todas as formas de vida, os homens eram generosos e dividiam suas tarefas com todos, os velhos eram adorados e reverenciados, suas falas eram prestigiadas e seus ensinamentos difundidos, as crianças brincavam soltas e toda a comunidade as protegia, as chuvas eram sempre calmas, o calor do verão sempre brando, estavam mais para veranicos e o frio nunca era intenso a ponto de matar alguém congelado. O mundo era assim, cheio de pureza, respeito às memórias dos povos ancestrais, todos cuidavam uns dos outros, nos dias de festas, as fogueiras só queimavam galhos secos, libertados naturalmente pelas majestosas árvores seculares, ninguém precisava de moedas ou qualquer tipo de dinheiro, as brincadeiras eram passadas de geração para geração, a música era cantada por todos, até pelos mais velhos, as danças comemoravam os nascimentos e os falecimentos, a natureza das coisas era compreendida com sabedoria. Acordei do breve devaneio e descobri que esta é a minha utopia.

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