Buscar
  • Ive Nenflidio

Tocante Urutau


Afogo que afunda,

algo que finda...

Para sobreviver, busquei novos pares,

naveguei outros mares,

vibrei distintos ares.

Não consegui encontrar a cura,

largar a loucura, tantos vícios.

E sobre o pano branco,

todas as peças dos búzios,

muitas revelações.


Epifania...

Sou sonhador de velhas utopias...

Juras, injustas promessas, ataduras,

tristes caçadas!

Sangro, sinto, suporto...

Meus olhos cansados, olhos de areia...

Singro no alto-mar,

controlo as velas da embarcação,

uma luz de candeia ilumina a escuridão,

uma infusão de ervas de benzedeira

esquenta o corpo cansado

e no peito todas as guias, minha proteção...

A tempestade chega e no mar revolto

observo um ato de amor, uma mão que salva...


Então recordo os presságios da anciã,

histórias da mandingueira,

velha matreira que movimentou sua manivela,

profetizou a solidão e a fúria dos mares

e decifrou a triste sina na estreita viela


Agora recordo as mensagens do antigo realejo,

tristes prenúncios nos caminhos de águas turbulentas,

lembro das estradas de pedra

e sigo decifrando as adivinhações

daquela mulher misteriosa da deserta colina,

da rua estreita que leva ao antigo farol.

Lembro da luz, clarão de um velho lampião,

uma chama, uma clareia intermitente

e o canto vibrante e choroso

do tocante Urutau...

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Morte