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  • Ive Nenflidio

Seu Agenor


A estrada me presenteou de muitas formas, conquistei amigos para a vida toda e conheci pessoas que ficarão para sempre na memória, também me mostrou um Brasil apaixonante, como a história do Seu Agenor, um senhor encantador, produtor rural e vendedor de rapadura.

O Brasil é um país com rica diversidade cultural que nos difere de tantos outros povos. Percebemos essas diversas culturas nos costumes, na música, nas artes, danças, festividades religiosas e na oralidade, nas palavras de gente simples, está presente também no jeito de comer, tradições passadas de pai para filho.

Um dia, conversei com um pequeno produtor rural, ele expunha em sua barraca os produtos produzidos de forma artesanal em seu sítio, eram pacotes de açúcar mascavo e pedras de rapadura, que eram vendidas por apenas R$ 5,00, valor insignificante, pelo tamanho do tijolo, devia pesar mais de um quilo.

Pensei, decerto é fácil preparar a iguaria! Perguntei como era a produção daquele doce, eu já separava umas três peças, enquanto ele embalava o açúcar mascavo em pequenos sacos transparentes. Gentilmente começou a responder minha pergunta.

— Moça, para preparar a rapadura, você primeiro tem que cortar e moer a cana-de-açúcar, depois você tem que cirandar.

Logo interrompi a fala do Senhor atencioso e perguntei o que seria cirandar. Ele respondeu.

— Fia, cirandar é coar, peneirar tudinho, tirar a parte ruim, deixar o caldo escasso, fininho, levinho para purificar bem, aí você leva para o tacho para a fervura do sumo e precisa manter o fogo forte, alto. O caldeirão não pode esfriar, você vai mexendo o melado até ferver e, depois que levantar fervura, continua misturando até encorpar. Para movimentar o caldo fervente, você deve utilizar uma vasilha grande, feita com metade de uma cabaça, veja, nunca use objetos metálicos você queimará suas mãos.

— Continue mexendo, às vezes demora três horas, quatro ou até cinco horas, vai verificando o fogo e colocando mais lenha, deixa a chama acesa e brava. Depois que tiver encorpado, você derrama o caldo apurado em outro recipiente, é bom cirandar novamente, depois despeja na pedra e espera esfriar. Esfria rapidinho!

Ele terminou dizendo: — É fácil, minha fia!

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