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  • Ive Nenflidio

Sertão


Terra amarela e as súplicas dela,

ira, mazelas da bélica fome,

rosto craquelado, suado,

absoluta e bruta labuta

que consome, some...

Flagelo, castigado,

o gado morre,

ninguém socorre...


Nos pés, rachaduras,

duras penas, áreas anecúmenas,

tristes cenas, tristes partidas encena,

idas para o sul, clareia novo dia,

não existe boa prosa, nem poesia,

tenebrosa seca que cerca...

Lugar de contrastes,

rumastes para outras terras,

hastes da cruz, outras eras,

um triste adeus, contratempos,

um tempo perdido...


Instinto que salva, distinto faminto,

corpo extinto, vinho tinto,

branco vinho, campo branco, caatinga...


Destino, triste sina,

és migratória, ave de rapina...


Astro da Manhã e a festa pagã,

o braseiro de primeiras centelhas,

telhas de brilho celestial...


Jasmim das restingas

e na caatinga, o triste acaso,

caso que penaliza, coisa antiga,

caso que castiga...

Nenhuma gota d’água,

deságua pranto, desencanto,

olhos de espanto,

que desgraça e na raça

segue semeando,

olhando para o infinito

e esperando que Deus

mande a chuva e louva aos céus que

preencha as cacimbas vazias,

cercanias da fome...


Lume, clarão, espinhos,

descaminhos, meu sertão...


Mistérios da remissão,

privilégios da redenção,

clamor, perdão, lamentação,

sem ação é feito chispa,

que despista da morte...

Seca monocromática, sina dramática,

gente apática, criança raquítica

Brasil sem fim...


Norte quente...

Ardor, povo sofredor, a dor que feri,

meu sertão, meu chão,

meu Cariri...

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