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  • Ive Nenflidio

Se Chover? (Parte 2)

Atualizado: 10 de Set de 2020

Se Chover? (Parte 2)

Pedi pra chover, mas chover de mansinho (Luiz Gonzaga)

Finalmente chegávamos à cidade de Picos, era quente, calor intolerável, ainda desejava um café da manhã e, de novo, me disseram “não”, dessa vez por já terem finalizado o serviço.

Sem comida, esperei desesperadamente que o atendente liberasse as chaves do quarto, pensando que, talvez, no frigobar tivesse um achocolatado e biscoitos, quem sabe.

O atendente da recepção detinha um ar tranquilo, não tinha pressa, pelo jeito éramos os únicos hóspedes do local. Não sei se por crueldade liberou a chave de todos do grupo, menos a minha, deixou para o final. Eu estava exaurida, completamente acabada, suada e faminta.

Entrei no quarto e a única coisa que queria era comer, esmiucei cada canto daquele espaço limitado, o frigobar estava vazio e desligado. Liguei para a recepção, questionando o motivo, então o calmo jovem informou que a geladeira era uma cortesia, eu deveria ligá-la e abastecê-la com produtos que eu poderia adquirir na cidade.

Como uma boa escorpiana, com ascendente em Áries, tive vontade de gritar, surtar, mas respirei fundo, acalmei e saí em busca de alimento.

​Depois de saciar minha fome, fui descansar algumas horas, tinha que produzir o evento, me dirigindo mais cedo ao local.

Já pronta, aguardei o ex-jogador de futebol; assim que ele chegou, nos deslocamos ao local onde aconteceria o espetáculo, era um grande salão, que comportava umas duzentas mesas, mais de mil pessoas.

​Na casa de shows, as mesas eram cobertas por longas toalhas, que iam até o chão, e cadeiras estofadas; tinha também pequenos espaços com sofás e poltronas, um lugar elegante, mas não havia teto ali, como no banheiro do senhor sisudo que também não tinha nenhuma cobertura.

​Eu observava o céu, nuvens escuras e um vento muito forte, tive de prender os cabelos, uma poeira insistia em cegar, uma ventania típica de grandes tempestades. Rapidamente, busquei a produtora responsável pelo evento e perguntei o que fariam, caso chovesse; a jovem sorriu e respondeu que choraria de felicidade.

​Não chovia naquela cidade sertanista há mais de uma década!






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