Buscar
  • Ive Nenflidio

Se Chover? (Parte 1) A Carne de Bode

Atualizado: Jul 15



Certa feita, viajei com destino ao sertão do estado do Piauí. Naquela viagem, aconteceram situações extraordinárias...

Quem nos transportava era um jovem senhor, um jogador de futebol aposentado e famoso por aquelas bandas. Ele havia sido descartado pelo maior clube do estado, uma vez que ficara velho demais para correr atrás da bola.

Virou chofer, ganhava uns trocados conduzindo viajantes, era falante e não parava de conversar por um só minuto; prolixo, abordava dezenas de assuntos e os misturava, era confuso. Não compreendíamos o rumo daquela prosa.

Para tentar cessar aquela voz cansada, paramos no posto de combustíveis, precisávamos mesmo de um banheiro e de um lanche.

Estacionamos na porta de um minguado comércio local. A taberna era desabastecida, tinha apenas um atendente, um homem setuagenário ou, talvez, aquele sol infernal tenha acabado com a sua pele e, na verdade, ele era bem mais jovem.

Pedi um pingado e um pão na chapa. Ele respondeu que não tinha leite, apenas café. Aceitei, era ruim, sem gosto, muito fraco, esperei o pãozinho e, logo, ele disse que só tinha carne de bode. Eram oito horas da manhã, não queria comer o picadinho.

Fui ao banheiro, não tinha papel e o cubículo também não tinha telhado, você fazia suas necessidades olhando para o céu. Naquele dia, havia uns urubus sobrevoando o local.

Voltei ao pequeno comércio e avisei que o papel tinha acabado. O homem, então, me disse que eles não forneciam, mas tinha para vender: um real, um punhado e três reais pelo rolo. Comprei um punhado, pois não precisava do rolo inteiro, retornei para o banheiro e fiquei pensando no pobre bode que tinha virado café da manhã.

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Morte