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  • Ive Nenflidio

Se Chover? (Parte 1) A Carne de Bode


Em 2003, viajei para um evento que aconteceria no sertão do estado do Piauí. Naquela viagem, aconteceram situações estranhas...

Quem nos transportava era um jovem senhor, um jogador de futebol aposentado e famoso por aquelas bandas, tinha sido descartado pelo maior clube do estado, ficara velho demais para correr atrás da bola.

Virou chofer, ganhara uns trocados conduzindo viajantes, era falante e não parava de conversar por um só minuto; prolixo, abordava dezenas de assuntos e os misturava, era confuso, não compreendíamos o rumo daquela prosa.

Para tentar cessar aquela voz cansada, paramos no posto de combustíveis, precisávamos mesmo de um banheiro e de um lanche.

Estacionamos na porta de um minguado comércio local, o lugar era desabastecido, apenas um atendente, um homem setuagenário ou, talvez, aquele sol infernal tenha acabado com a sua pele e fosse bem mais jovem.

Pedi um pingado e um pão na chapa, ele respondeu que não tinha leite, apenas café. Aceitei, era ruim, sem gosto, muito fraco, esperei o pãozinho e, logo, ele disse que só tinha carne de bode.

Eram oito horas da manhã, não queria comer o picadinho.

Fui ao banheiro, não tinha papel e o cubículo também não tinha telhado, você fazia suas necessidades olhando para o céu.

Naquele dia, havia uns urubus sobrevoando o local. Voltei ao pequeno comércio e avisei que o papel tinha acabado.

O homem, então, me disse que eles não forneciam, mas tinha para vender: um real, um punhado e três reais, um rolo.

Comprei um punhado, não precisava do rolo inteiro, retornei para o banheiro e fiquei pensando no pobre bode, que tinha virado café da manhã.

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