Buscar
  • Ive Nenflidio

Sabiá-laranjeira

Atualizado: Nov 3


Quero lhe contar o que vivi,

sou viajante, céus cobri,

fui exímia cantora, sou Colibri,

com meu ínfimo corpo, canto pra ti.


Cruzei os céus, ouvi um Curió,

conheci seus anseios,

és rápido demais, és ligeiro,

mora aqui bem perto e no interior.


É um afamado fingidor,

um pássaro imitador de canto encenado,

atua como ator.


Nunca acreditei em suas doces palavras.


Também conheci o lindo passaredo,

o Trinca-ferro, vivente da capoeira,

viajante sem paradeiro,

roncador vigoroso, vive nas clareiras.


Tem o Papa-capim, que voa como anjo,

como um querubim.

Tem o Canário-da-terra,

que canta suas penas, suas guerras.


Mas aprecio mesmo

é o formoso Sabiá-laranjeira,

meu melhor amigo,

meu companheiro, estimo o seu canto,

meu predileto, visita as beiras


Vem me ver de tempos em tempos.

Espero ansiosa seu regresso…


Ele se hospeda em apartamentos de concreto,

notívago solitário canta nas madrugadas,

seu canto faceiro não me perturba,

és para mim um lindo boêmio.


Nas noites paulistanas,

insanos querem matá-lo,

digo a ele para se cuidar.

É meu melhor amigo,

meu único amor…


Meu bem, compreendo porque não dormiste,

tens cantos da sobrevivência,

com seus sons sublimes,

canta seus fantásticos delírios.


Cantigas que não são para mim,

são para ela!

Acompanho sua insônia, querido cantador,

volte, visite minha janela!


Te espero em uma casa enfeitada,

com beijos de mel

e um jarro de flores amarelas.


Conheço-te,

sei que és perseguido,

mal-apreciado, incompreendido.


Quando sentires o risco, foge para longe,

livra-te dos ouvidos incomodados.

E quando puder, venha me ver,

minhas portas estarão sempre abertas!


Meu amor, flutua observando a miragem,

flutua com seu voo rasante

e dorme com as estrelas

onde me encontrarás.

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Morte