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  • Ive Nenflidio

Lusco-fusco

Sonho confuso:

como invenção de antigas memórias,

reparo carros enfileirados,

analiso o fluxo lento...

Apressados?

Só os corpos angustiados...

confinados em comboios.

Caminhos congestionados e desejos lépidos.

Em meio ao caos,

presencio inusitada beleza ofuscante,

contemplo um exuberante pôr-do-sol,

estaciono na estrada,

fotografo em pensamentos todas as cores,

que extravagante visão emocionada!

Vejo pássaros falantes e

me confundo com os motores silenciosos,

ouço melodias entoadas por anjos solitários,

como preces de eremitas

que, aprisionados na solidão,

contemplam o horizonte dos deuses.

Aprecio o entardecer, sigo...

não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor

mãos gesticulando, corações agitados.

Entendo... Acelero!

Não desperto do breve devaneio,

permaneço presa ao mundo dos sonhos...

Na busca por novos caminhos,

tento decifrar desatualizadas cartas,

primitivos manuscritos com raros caracteres,

não compreendo as bifurcações, frases implícitas, confusas visões...

Confesso segredos em breves distrações;

definitivo lusco-fusco

chega sem pressa...

É um fugaz divisor das águas.

Estou inquieta, tento meditar, busco a paz,

não sinto o vento, estou ardendo,

procuro a melhor metáfora poética.

Finalmente chego ao teu encontro...

Te espero!


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