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  • Ive Nenflidio

Entressonho e fricção

Atualizado: há 4 dias

Antes de tu chegares, me encontrava em silêncio, entorpecida como os vulcões dormentes, tristes e acanhados. Chegaste lentamente, desenhamos enredos, teias arranjadas com sublimes intenções. Conversamos sobre poesia e filosofia, nos aproximamos, graciosas afinidades, logo, sentimos a brutal dor da saudade. Tu recitaste um poema, o meu preferido, declamaste delicadamente. Foram olhares distantes que penetraram em minha alma, criando pequenas fogueiras que saíram das páginas do Livro dos Abraços e hoje incendeiam meu corpo. Foram ditas palavras sigilosas, indecentes histórias; de peito aberto lhe contei meus maiores segredos, meus maiores desejos. Tu me acalmaste com palavras, me ajudaste a enterrar fantasmas, me libertar das algemas, esquecer o passado, já não penso no estrago. Com medo, tu tentaste o isolamento, talvez por temer o desconhecido ou por não acreditar cegamente em minhas palavras. Decidi também me afastar, notei os riscos de algo tão raro, tudo ficou fora de controle. Tu passaste a fazer parte dos meus sonhos, alvoradas solitárias em que te percebo, ainda bem que tenho a lua, minha aliada! Sou moradora das ausências, me encontro e me perco em águas turvas, solidão inevitável, sou viajante das utopias, vivo perto das estrelas.


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