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  • Ive Nenflidio

Alucinação


Sonho confuso: como invenção de antigas memórias, reparo carros enfileirados, analiso o fluxo lento... Apressados? Só os corpos angustiados... confinados em comboios.

Caminhos congestionados e desejos lépidos. Em meio ao caos, presencio inusitada beleza ofuscante, contemplo um exuberante pôr do sol, estaciono na estrada, fotografo em pensamentos todas as cores, que extravagante visão emocionada!

Vejo pássaros falantes e me confundo com os motores silenciosos, ouço melodias entoadas por anjos solitários, como preces de eremitas que, aprisionados na solidão, contemplam o horizonte dos deuses.

Aprecio o belo entardecer, sigo... não ouço buzinas, mas observo pelo espelho retrovisor algo que ficou no passado, vejo mãos gesticulando, corações agitados. Entendo... Acelero! Não desperto do breve devaneio, permaneço presa ao mundo dos sonhos...


Poema selecionado para compor a coletânea “Antologia Girassol”

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