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  • Ive Nenflidio

A vingança


No início da década de 1990, aconteceu o confisco das cadernetas de poupança com boa parte da população perdendo o pouco que tinha, um terrível e agressivo sequestro.

Passada mais de uma década, presenciei uma cena quase teatral de tão dramática. Estava no restaurante do Grande Hotel Araxá, a glamorosa hospedaria possuía uma galeria suspensa, decorada com afrescos. O local se destacava pela grandiosidade de sua arquitetura, com pisos de mármore e grandes vitrais.

É um lugar de muitas histórias e aqui conto mais uma procês...

O tal ex-presidente, responsável pela apreensão de economias de muitos brasileiros, estava almoçando, cercados de seguranças, ria e se divertia com um grupo de homens. Eu estava sentada exatamente de frente para ele.

Naquele dia, testemunhei um dos episódios mais hilários de minha vida: uma senhora, já bastante idosa, se dirigiu até o buffet central, recolheu uma travessa de massa mergulhada em condimentos e foi em direção ao político, parou ao seu lado, acredito que queria ser ouvida, pois falou em voz alta a frase que ecoou pelo grande salão:

— Isso que faço é por você ter infartado meu marido. Finalizou a fala e despejou toda a macarronada sobre a cabeça do homem público.

Não acreditava no que vira, era a cena mais extravagante e surreal que alguém pudesse assistir. Ele não disse uma só palavra, levantou-se. Rapidamente, os seguranças o cercaram e todos daquela comitiva saíram silenciosamente do recinto.


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